Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Trabalho final: utopia da comunicação

 

 

Introdução

 

 

Este trabalho tem como objectivo mostrar a minha visão sobre o tema "Utopia da Comunicação" e surge no âmbito da unidade curricular de «Teoria e Modelos da Comunicação».

Resumindo a minha visão, deixo-vos alguns slides:

 


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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Modelos de Comunicação


Este trabalho tem como objectivo dar a conhecer os principais Modelos de Comunicação e surge no âmbito da unidade curricular de «Teoria e Modelos da Comunicação 

 

Todos os estudos relativos à comunicação tiveram a influência do cientista social e politólogo americano Harold Lasswell. Em 1948, Harold Lasswell publicou um trabalho onde decompunha o fenómeno da comunicação em cinco partes fundamentais.

 

Dos vários modelos de comunicação existentes iremos abordar quatro desses modelos:


 

modelos de base cibernética ou circulares
modelos de comunicação de massas
modelos culturais ou socioculturais.
 

 


1. Modelos de Base Linear

 

Os modelos lineares são aquelas que dissociam as funções do emissor e do receptor e apresentam a comunicação como sendo a transmissão de mensagens entre esses dois pontos e num único sentido.


Como modelos lineares surgiram vários modelos de comunicação, sendo os mais representativos os modelos lineares de Lasswell, Shannon, Weaver e Schramm.

 

 

Modelo Linear de Lasswell

 


Lasswell pretendeu descrever o acto de comunicar. Para ele o acto de comunicação tinha de responder a 5 perguntas: "Quem / Diz o quê / Através de que meio / A quem / Com que efeito."

O esquema linear apresentado por Lasswell é caracterizado pela apresentação de um sujeito estimulador (quem?) que gera estímulos provocando um conjunto de respostas no sujeito experimental (receptor); por estímulos comunicativos (o quê?) que originam uma determinada conduta comunicativa; por instrumentos comunicativos, linguagens e suportes, métodos e técnicas que tornam possível a aplicação dos estímulos comunicativos (em que canal?); e por um sujeito experimental (a quem?) que recebe esses estímulos e vai reagir de acordo com eles (efeitos).

 

Modelo Linear de Shannon e Weaver

Mais ou menos ao mesmo tempo que Lasswell, apareceram dois outros estudos, um de Claude Shannon, e outro de Warren Weaver. Ambos exprimem através de um esquema linear matemático, unidireccional, um modelo linear de comunicação com seis elementos. Tratava-se de um modelo para o estudo da comunicação electrónica. No entanto, o modelo poderia ser aplicado ao estudo de outras formas de comunicação.

Neste modelo linear a comunicação assenta na cadeia dos seguintes constituintes:

a fonte de informação produz e envia uma mensagem;
a mensagem chega a um transmissor que transforma a mensagem num sinal;
o canal é o meio de transmissão à distância;
Como o sinal pode estar sujeito a ruído (interferências), o sinal emitido pode ser diferente do sinal captado pelo receptor;
O receptor capta o sinal e fá-lo retornar à forma inicial da mensagem para ser percepcionada e compreendida pelo receptor.

 

 

 

2. Modelos de Base Cibernética

Os modelos cibernéticos são todos aqueles que integram a retroacção ou feedback como elemento regulador da circularidade da informação.

Norbert Wiener considerou o campo da cibernética como a «teoria da regulação da comunicação», ou seja, a cibernética é a «arte de assegurar a eficácia da acção», onde a retroacção, ganha papel principal.

Os modelos cibernéticos, que são apresentados têm em comum o facto de incluírem no seu processamento da informação o elemento da retroacção.

 

2.1. Modelos de Comunicação Interpessoal

Os modelos de comunicação interpessoal, traduzem uma comunicação numa situação de interacção face-a-face, consistindo em eventos de comunicação oral e directa. Os modelos que claramente evidenciam esta interacção são os seguintes:

Modelo de Comunicação Interpessoal de Schramm

Modelo Circular de Jean Cloutier

 

 


Modelo de Comunicação Interpessoal de Schramm
O modelo de comunicação interpessoal de Schramm traz significativas alterações aos modelos lineares.Schramm altera os modelos lineares, introduzindo-lhe algumas precisões suplementares. Schramm propõe que cada emissor pode também funcionar como receptor num mesmo acto comunicativo (devido ao mecanismo de retroacção ou feedback). Cada emissor/receptor tem a habilidade de descodificar e interpretar mensagens recebidas e de codificar mensagens a emitir. Para Schramm o emissor ao emitir uma mensagem, na realidade emite várias mensagens. Por exemplo, na comunicação interpessoal ou televisiva, não conta apenas o que se diz, mas também como se diz, a postura, o vestuário, o penteado, etc.
A noção de feedback é semelhante à de reacção, uma vez que quando o receptor recebe a mensagem, ele reage e vai codificar a sua própria mensagem em função daquilo que recebeu. Existe também uma espécie de feedback que provém da própria mensagem, da inflexão de voz, dos gestos, da mímica, da postura corporal, etc.


Modelo Circular de Jean Cloutier

Jean Cloutier (o autor mais representativo desta corrente comunicativa) defende que o esquema de Emerec não é estático, mas sim que está em movimento e varia continuamente segundo os tipos de comunicação estabelecida. Não é linear, «mas concêntrico, visto que o seu ponto de partida é sempre o ponto de chegada» e sobretudo, o feedback não é um elemento acrescentado e supérfluo, mas inerente ao ciclo da informação.
O esquema da Era de Emerec comporta três elementos gráficos:
EMEREC (o homem que recebe e emite informação;
LINGUAGEM e MENSAGEM (a linguagem permite incarnar a mensagem);
O MEDIUM ou meio (existe à imagem e semelhança do Emerec).

 

3. Modelos da Comunicação de Massas
Os modelos de comunicação de massas forami incluídos inserido nos modelos de base cibernética devido ao facto dos meios de comunicação de massa se basearem na retroacção como elemento regulador da sua boa aceitação por parte do seu público.
O modelo apresentado pelo investigador George Gerbner apresenta formas diferentes em função do tipo de situação de comunicação que descreve, tendo originalidade de apresentar uma versão verbal e outra gráfica. A sua formulação gráfica é a seguinte:
1.Alguém.
2.Percepciona um acontecimento.
3.E reage.
4.Numa situação.
5.Através de alguns meios.
6.Sob determinada forma.
7.E contexto.
8.Transmitindo conteúdo.
9.Com alguma consequência.
É de referir que a representação do modelo não visualiza todos os componentes da formulação verbal, este pode ser ilustrado em esquema de maneiras diferentes.
O modelo de Gerbner pode ser utilizado para diversos fins, por exemplo, descrever a comunicação mista entre humanos e máquinas. É também utilizado para diferenciar áreas de investigação e construção teórica. Tal como Lasswell com a sua fórmula, Gerbner usou o seu modelo para ilustrar e explicar os principais procedimentos de análise de conteúdo.

 

Modelo da Comunicação de Massas de Schramm
O modelo de comunicação de massas deste teórico constitui uma adaptação do seu modelo de bases: o emissor é colectivo, são ao mesmo tempo, o organismo e os mediadores que dele fazem parte. As operações de codificação, interpretação e descodificação existem e são obra de vários especialistas que utilizam fontes exteriores (por exemplo num jornal serão os despachos das agências, as informações recolhidas pelos jornalistas) e têm em conta a retroacção ou o feedback induzido (dando o mesmo exemplo do jornal, tal será observado pelas cartas dos leitores ou pelo número de tiragem).
As mensagens emitidas são múltiplas, mas idênticas – é a mensagem original que é ampliada e dirigida para uma multidão de receptores que, cada um por si, a vai descodificar, interpretar e, por sua vez, codificar. Cada receptor faz parte de um grupo e as mensagens difundidas pelos mass media vão prosseguir o seu caminho através desses grupos.
 

Modelo do Processo de Comunicação de Massas (Maletzke)
Com o seu modelo, Maletzke pretende demonstrar a complexidade da comunicação de massas nas suas implicações sociopsicológicas.
Maletzke no seu esquema apresenta alguns elementos já abordados anteriormente, Comunicador, Mensagem, Meio e Receptor, acrescentando-lhe mais dois elementos entre o meio e o receptor. Um deles é a pressão ou constrangimento causado pelo meio, este teórico defende que o dia-a-dia do receptor é completamente influenciado pelas características, princípios e conteúdos do meio. O outro é a imagem que o receptor tem desse mesmo meio, o qual influencia a sua escolha relativamente aos conteúdos.


3. Modelos Culturais ou Socioculturais
Há uma corrente mais preocupada com a cultura de massas e as suas repercussões na sociedade, do que com os próprios meios de comunicação de massas. Sendo um dos seus grandes representantes o investigador francês Edgar Morin.
A sociologia da comunicação de massas nasceu no Estados Unidos. A partir dos anos 60 Edgar Morin, fundador da corrente «teoria culturológica», desenvolve uma tese segundo a qual a cultura de massas é o produto de um processo dialéctico entre criação, produção e consumo e o seu sucesso junto do grande público depende do grau de eficácia da resposta às aspirações e necessidades individuais. Existe, então, uma espécie de relação entre os três elementos.
O Modelo Cultural de Abraham Moles, também investigador francês, insere-se mais numa perspectiva cibernética. Ele defende que estamos perante uma sociodinâmica da cultura, dado que há uma interacção constante entre a cultura e o meio a que ela pertence, interacção essa realizada pelos criadores que provocam a evolução.
Para ele na comunicação está envolvida, não três elementos, mas quatro elementos:
Criador (aquele que age);
Micro-meio (subconjunto da sociedade);
Mass-media (imprensa, cinema, rádio, televisão,…)
E Macro-meio (sociedade de massas).
Para Moles existe uma interacção permanente entre a cultura e o meio a que ela respeita.

 

4. Bibliografia
Freixo, Manuel João Vaz. Teorias e Modelos de Comunicação. Lisboa: Instituto Piaget, 2006
Sousa, Jorge Pedro. Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media. Porto, 2006
http://odomdecomunicar.blogspot.com/. Consultado em 5 de Fevereiro de 2010.
http://helenosca.blogspot.com/2009/02/modelos-de-comunicacao.html. Consultado em 5 de Fevereiro de 2010.

 


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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Níveis de Comunicação

O Dr. Pedro Machado pediu para respondermos a um questionário.

 

Deixo aqui as minhas respostas:

 

 

Dentro dos Níveis de Comunicação diga qual, ou quais, na sua opinião condicionam mais a prática docente?
 
Eu estive a pesquisar na «Internet» e encontrei a resposta de um ex-aluno de TIC do Instituto Piaget e não posso estar em maior desacordo. Este aluno escreveu e passo a citar:
“Nenhum nível condiciona a pratica docente porque os quatro níveis ou contextos de comunicação não podem estar separados. Como afirma o autor Stephen Littlejonh, devemos "olhar para eles como uma hierarquia de contextos ajustados uns aos outros, em que o nível superior inclui o inferior mas acrescenta algumas características e qualidades adicionais". Assim na perspectiva do autor há uma interrelacionalidade dos quatro contextos ou níveis de comunicação.”
Eu considero que uma comunicação autêntica, eficaz e satisfatória é aquela que se assenta sobre um esquema de relações simétricas, numa paridade de condições entre emissor e receptor, na possibilidade de ouvir o outro e ser ouvido, como possibilidade mútua de entender-se. Pelo contrário os meios de comunicação de massa são sistemas de comunicação num único sentido. Esta característica distingue-os da comunicação pessoal, na qual o comunicador conta com imediato e contínuo feedback da audiência. Pelo seguinte, para mim a comunicação de massa é que condiciona mais a prática docente. Um docente para ensinar e transmitir conhecimento (e não informação) tem de comunicar de forma eficaz, interagindo com os seus alunos e ajustando as metodologias de comunicação em função dos resultados alcançados. A comunicação de massa é, portanto, o «acto comunicativo» que menos se ajusta à prática docente.
Falando da minha experiência pessoal e profissional no Instituto Piaget, posso exemplificar com a reserva demonstrada por muitos docentes pela passagem de diversas unidades curriculares que estavam em regime presencial para regime não presencial (e-learning). A grande preocupação dos docentes (onde me incluo) é que a falta de contacto visual, físico , a falta de feedback imediato, e a dificuldade em criar um canal de comunicação eficaz, leve a que seja utilizada uma comunicação de massa, com poucos resultados alcançados ao nível da aquisição de conhecimentos e competências
Aliás alguns teóricos dos mídia afirmam que aquilo que obtemos mediante os meios de comunicação de massa não é comunicação, pois esta é via de dois sentidos e, por tanto, tais meios deveriam ser denominados veículos de massa.
 
O nível de comunicação interpessoal caracteriza-se essencialmente pelos seus axiomas. Justifique a importância dos axiomas.
 
É impossível não comunicar
Todo o nosso comportamento é comunicação e até mesmo quando estamos em silêncio comunicamos. A não comunicação não existe.
 
Toda a comunicação tem 2 níveis: conteúdo e relação
Quando comunicamos transmitimos informação sobre factos, emitimos opiniões, mostramos sentimentos e experiências.   ←        conteúdo
Quando comunicamos exprimimos, directa ou indirectamente, algo sobre os interlocutores (emissor e receptor) ←            relação
 
 
 
 
 
 

Como o conteúdo está interligado à relação, pode não haver distinção entre conteúdo e relação, discutindo-se o conteúdo quando se pretende definir a relação. Quando isto acontece estamos perante distorções comunicacionais.

 

A natureza de uma relação está na contingência da pontuação das sequências comunicativas entre os comunicadores
Série de comunicações = sequência ininterrupta de trocas.
As pessoas pontuam os acontecimentos de acordo com o seu ponto de vista, levando a interpretações diferentes entre o emissor e o receptor.
 
 
É fundamental que a pontuação organize os eventos comportamentais já que é importante para o desenvolvimento das interacções em curso, de que é exemplo o seguinte diálogo: «Eu retraio-me porque tu implicas» e «Eu implico porque tu te retrais».
 
 
Existem dois tipos de comunicação: digital e analógico
Quando utilizamos a linguagem verbal estamos perante a comunicação digital e quando utilizamos a linguagem não verbal (postura, gestos, expressão facial, inflexão de voz, sequência, ritmo e cadências das próprias palavras, …) estamos perante uma comunicação analógica. Podemos, então, afirmar que a comunicação digital é mais objectiva, mais precisa, mais complexa e a analógica é mais ambígua, subjectiva. Na comunicação digital é importante o código utilizado, enquanto que na analógica a questão afectiva toma relevância na comunicação.
O cartoon abaixo exemplifica de forma clara os dois tipos:
 
 
Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares, conforme se baseiam na igualdade ou na diferença
Este último axioma refere-nos que as permutas comunicacionais são simétricas quando os dois comunicadores se comportam de modo semelhante, em que as diferenças entre comunicadores são minimizadas e são complementares quando as diferenças são maximizadas.
Uma interacção complementar existe quando um participante ocupa uma posição superior e o outro uma posição inferior. Este posicionamento não leva à partida a uma comunicação má. Quando esta interacção leva à submissão e subjugação do outro é que podemos considerar que a permuta comunicacional não é a ideal.
 
 
 
Do lado contrário numa situação de comunicação simétrica podemos levar ao desenvolvimento de uma situação competitiva extrema.
 
Como docente, considero que deve existir um equilíbrio para comunicarmos de forma eficaz com os nossos estudantes.
Segundo Watzlawick, existem 5 axiomas na sua teoria da comunicação entre dois indíviduos. Se um destes axiomas não for considerado pelo comunicador, que procura uma comunicação eficaz, a comunicação pode falhar. Porquê?
Considero que a comunicação não falha, porque no momento em que comunicamos os axiomas estão sempre patentes, independentemente do(s) contexto(s) e circunstâncias de comunicação.
no wikipedia temos a seguinte definição de axioma:
 
"Um axioma é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades (dependentes de teoria)."
 
Podemos dizer que estes cinco axiomas são parte integrante da comunicação. O que é importante é que o comunicador, e em particular eu como docente, deve ter consciência dos mesmos e de como «adaptar a sua prática comunicativa» ao contexto em que está».
 
A comunicação de massas é um tema muito debatido na sociedade actual, principalmente pelas influências que gera nos públicos mais jovens. Comente a importância deste nível (massas) para a prática docente.
A comunicação de massas é o modo particular da comunicação moderna que permite que o autor da mensagem dirige-se simultaneamnete a um grande número de destinatários.
As críticas sobre a influência de meios, tais como a televisão, têm sobre a cultura e conhecimento do público, leva-nos a supor que este tipo de comunicação leva a um «cultura de massas». Eu considero que é um exagero e que se mistura todo um conjunto de conceitos. O facto é que a comunicação de massas é um tipo de comunicação e que como qualquer um terá virtudes e desvirtudes.
Não haverá dúvida que a comunicação de massas levou o conhecimento a um maior número de pessoas, como nunca tinha sido possível até então. Â questão que podemos colocar é: Como é interpretada pelo receptor a informação que recebe e será que ela se transforma em conhecimento? Mas esta questão é válida em todos os tipos de comunicação.
E eu como é que vejo a comunicação de massas no contexto educativo? por um lado os meus estudantes receberam ao longo das sua vida todo um conjunto de informaçoes/conhecimentos por diversos meios. Não tenho dúvidas que um estudante que esteja em contacto permanente com televisão, rádio, cinema e imprensa vem com uma cultura geral que não a teria se estes meios não existisse. Será que esta «cultura» tem repercussões na homogeneização do pensamento dos alunos, tornando-os muito idênticos na forma de pensar, agir e ver o mundo que os envolve? não me parece e não parece que deve ser a minha preocupação como docente. Para nós docentes deverá ser importante é como fazemos uso de todos estes meios fantásticos que temos à nossa disposição e que nos podem facilitar no nosso fim, que é transmitir conhecimento e contribuirmos para transformar os nossos estudantes em pessoas pensantes, críticas e produtivas.
 
Tenho dito.
 

 


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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Historia da comunicação

 

 

Antes de reflectir sobre a evolução da comunicação e sobre a importância de a estudarmos deixo-vos estas definições:

 

Para Colin Cherry, comunicação significa "compartilhar elementos de comportamento ou modos de vida, pela existência de um conjunto de regras".
 
Berlo, entende comunicação "como sendo o processo através do qual um indivíduo suscita uma resposta num outro indivíduo, ou seja, dirige um estímulo que visa favorecer uma alteração no receptor por forma a suscitar um resposta"
 
Abraham Moles, define comunicação "como o processo de fazer participar um indivíduo, um grupo de indivíduos ou um organismo, situados numa dada época e lugar, nas experiências de outro, utilizando elementos comuns"
 
Texto transcrito do livro "A era de EMEREC " de Jean Cloutier, Ministério da Educação e Investigação Científica - Instituto de tecnologia Educativa, 1975.
 
O aparecimento de novas tecnologias educativas tem nos conduzidos a novos paradigmas educativos que se projectam tanto em contextos formais como informais. A necessidade de adaptarmos ou reformularmos modelos pedagógicos obsoletos leva-nos a  novos desafios e, que só são possíveis ser alterarmos a forma como comunicamos.
 
É importante compreendermos a História da Comunicação, para assim compreendermos a evolução das TIC e percebermos o paralelismo que existe entre a evolução das TIC e a evolução das Tecnologias Educativas, porque, segundo Jean Cloutier, a comunicação é cumulativa, ou seja, cada novo meio junta-se aos outros e os emergentes não servem para eliminar os já existentes. Podemos dizer que conceito de comunicação recompõe-se ao longo dos tempos numa nova figura, sem, no entanto, refutar os elementos presentes nos modos de comunicação anterior. Analisando a história da comunicação, Jean Cloutier propõe quatro momentos da História da Comunicação.
 
 
Interpessoal / Família – o tempo da oralidade
 
Esta fase intimamente ligada ao início da história humana quando Homo sapiens aprende a expressar-se através do gesto e da palavra. Neste período da evolução, o alcance da comunicação é limitado à sua capacidade auditiva e visual. A este momento podemos fazer corresponder a estrutura educativa familiar. Para comunicar à distância, ele tem de deslocar-se ou arranjar o mensageiro que o faça por si. Nesta fase a duração da comunicação é reduzida e para a prolongar no tempo foi necessário recorrer a contadores de histórias que assumiam a função de «memória do tempo»
 
Elite / Escola - o tempo da escrita
 
Com o aparecimento de outras formas de comunicação (tais como: esquemas, desenhos, música e posteriormente a escrita) surge o segundo momento, a “comunicação de elite”, onde aparecerá mais tarde a escola como organização e sistema. A família deixa de ser o único local de aprendizagem, e passa a existir um local determinado, “a Escola.
Com o aparecimento do alfabeto fonético vence-se o espaço e o tempo, com o aparecimento do papiro, pergaminho e posteriormente do papel. A invenção da escrita deu início à história, tornando-se possível armazenar conhecimentos numa larga escala. Evidentemente que esta forma de transmitir informações congelava a cultura porque o objectivo do copista era construir uma obra de arte, mais do que construir um instrumento de transmissão rápida de conhecimentos.
 
 
 
Massa / Escola Paralela - o tempo da tipografia
 
Com o advento da indústria e graças ao inventor da imprensa (Johannes Gutenberg) massifica-se o livro como objecto de consumo, produzindo-o em larga escala e acessível a todas as classes sociais. É a «comunicação de massas» onde pontificam as linguagens de amplificação criadas a partir dos «média». A Escola deixa de ser a única fonte de transmissão do saber, que passa a ser feita pelos livros, jornais, rádio e televisão. À família e à escola junta-se então um novo estilo a “escola paralela”, uma vez que todos têm a possibilidade de aceder livremente ao conhecimento através dos « media».
 
 
Individual / Auto-formação – o tempo dos self-media
 
 

Jean Cloutier designou o quarto momento por “comunicação individual” e aparece porque o homem passa a ter acesso a todo o conhecimento e a poder exprimir-se através de todo um conjunto de tecnologias que lhe possibilitam gravar som e imagens. Nesta fase o indivíduo passa a ter um papel mais activo na transmissão de informações e do conhecimento. Ele é simultaneamente emissor e receptor sendo capaz de construir o seu próprio conhecimento, através de uma aprendizagem autónoma. 

 
 
Para além de ser importante percebermos as fases, é, também, importante que entendamos a comunicação como um processo cumulativo, em que aos antigos conhecimentos que possuímos se juntam os novos.   Na nossa relação  com os outros e no caso concreto da relação professor-estudante podemos identificar estas quatro fase da evolução da comunicação no nosso modelos de comunicação: Como professor recorremos à comunicação interpessoal, ensinamos no contexto escolar e  recorremos à comunicação de massas. Mesmo a última fase está presente quando solicitamos ao estudante que construa o seu saber num determinado tema. Até quando pedimos aos estudantes para trabalharem em grupo estamos perante a última fase. 
 
Ao escrever este blog leva-me a reflectir sobre o que li do artigo disponibilizado no forum pelo professor Pedro Machado: 
 
Como conseguir uma comunicação eficaz? 

Que dimensões comunicativas resultam mais influentes no desenvolvimento do processo?

Que tipo de intervenção proporciona uma maior eficácia na comunicação educativa?

Como se melhora o processo de ensino-aprendizagem?

 

E sem dúvida que ao escrever sobre as fase da comunicação reflicto sobre as questões acima.

 
Os cartoons abaixo exemplificam de forma soberba as quatro fases:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

O meu primeiro filme em Flash

Caros colegas, é com orgulho (e muito tempo a tentar converter para formato flv) que apresento a minha obra:

 

 

 

 

O próximo será ainda  melhor.

 

música: we are the champion - Queen

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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

O Ruído na comunicação


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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Redundância versus entropia

O conceito de redundância é absolutamente oposto ao de entropia.

Enquanto uma informação de baixa previsibilidade significa variedade, novidade e é entrópica e com muita informação, uma informação de alta previsibilidade significa falta de variedade ou simplesmente repetição e é redundante e de pouca informação. Geralmente os indivíduos que chamamos de chatos são na verdade tremendos redundantes. É o caso, por exemplo, das pessoas que contam a mesma história várias vezes. Indivíduos previsíveis também são redundantes.

Podemos afirmar que uma língua entrópica dispõe de um vocabulário rico, com palavras diferenciadas, que mostram o poder das combinatórias; uma língua pouco entrópica é pobre e repetitiva.

A teoria da informação diz que quantas menos informações sobre um sistema, maior serão sua entropia. Isso remete ao facto de as equações matemáticas para a entropia usarem métodos probabilísticos para serem deduzidas. Sendo assim, quanto maior o número de arranjos possíveis, maior será a entropia.

Entropia é uma palavra que vem do grego e representa uma grandeza termodinâmica, que esta associada a algum grau de desordem. Essa grandeza é quem mede a energia que não foi transformada em trabalho.

Na comunicação, a entropia está relacionada ao grau de desorganização da mensagem. Quanto mais desorganizada, mais entrópica. Nos meios académicos, costuma-se brincar que o melhor exemplo de entropia seria um macaco utilizando uma máquina de escrever. O resultado dessa traquinice é uma mensagem totalmente desprovida de código e entrópica. Portanto, incompreensível. O código é utilizado com o objectivo de evitar que o caos tome conta da mensagem.

A entropia, no entanto, pode ter uma utilização positiva na comunicação, pois uma mensagem extremamente ordenada é também uma mensagem previsível e, portanto, redundante. A característica de imprevisibilidade da entropia pode dar à comunicação um toque mais original.

 

O surgimento da MTV é um bom exemplo da aplicação da entropia. Perante a estrutura ordenada e previsível das emissoras convencionais, a linguagem entrópica da MTV conseguiu ser um sopro de criatividade.

Exemplos de linguagem entrópica também podem ser encontradas no cinema. O filme Clube de combate (Fight Club), por exemplo, não só usa uma linguagem caótica, como fala explicitamente do aumento da entropia no mundo actual. A cena em que o personagem principal se auto-flagela é um bom exemplo disso.

Um professor que instale o caos, a dúvida, a incerteza, e que provoque a discussão, partindo do fim para o princípio, usando a entropia, chega ao conhecimento. O partir do empírico para o científico. Os alunos gostam de um professor que os surpreenda, que traga novidades, que utilize a entropia, que seja imprevisível, que varie as suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.

 


publicado por asilva às 11:54
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Ruído versus redundância

Vulgarmente, para nós a palavra ruído significa barulho, som ou poluição sonora não desejada. Chamamos ruído às interferências no canal (o barulho na sala de aula, os ruídos telefónicos ou electrónicos, as instabilidades ou o grão num ecrã televisivo).

Na teoria da informação o ruído é considerado como portador de informação e na concepção de Shannon, tal como a informação se mede, também o ruído se pode medir. Ele corresponde à diferença entre a informação de partida e a informação de chegada.

O ruído passa a ser uma variável que se pode generalizar a qualquer tipo de informação. Por exemplo, se fizermos uma fotocópia, a qualidade da informação impressa pode ser razoável. Mas se fizermos uma segunda fotocópia do material fotocopiado, e uma terceira da segunda fotocópia, a qualidade da informação vai-se degradando até se perder por completo. Essa degradação sucessiva corresponde ao ruído e pode ser medida com precisão. O mesmo se pode dizer quando, através de um molde de gesso, se reproduz uma estátua ou um molde original, dessa reprodução se faz novo molde e uma outra reprodução, e assim sucessivamente. Ao fim de algumas reproduções teremos apenas um esboço irreconhecível. E o mesmo se pode aplicar às reproduções de CDs a partir, não da matriz, mas de discos em vinil.

A noção de ruído pode ainda ser aplicada à comunicação. Uma coisa é o que queremos dizer, outra é o que se diz, outra o que se ouve e outra, finalmente, o que o ouvinte se lembra de ter ouvido. Em cada uma destas transmissões perde-se inevitavelmente informação, pelo que muitos falantes se queixam de não serem entendidos, não sabendo porém que isso é inevitável.

Como é possível medir a informação e o ruído? Shannon desenvolveu estratégias para o corrigir com meios técnicos. Também nós aprendemos estratégias empíricas para corrigir esta perda de informação. Uma delas é manter o canal em boas condições, outra é acentuar ou repetir as informações mais importantes. Finalmente, existem regras da comunicação informativa, pelas quais se podem reconstituir alguns elementos perdidos da mensagem. Tanto as repetições como as regras têm a ver com a redundância.

A redundância da informação facilita melhor a precisão da descodificação e, sobretudo, faculta um teste que permite identificar erros. O seu papel é importantíssimo no processo de comunicação. Ela é usada para combater ruídos que possam obstruir o canal. Essa é a razão pela qual, por exemplo, nós batemos várias vezes na porta de uma casa quando queremos ser atendidos pelos moradores.

Se batêssemos uma única vez já transmitíamos a mensagem, mas nós a reforçamos a fim de garantir que o receptor irá recebê-la.

Do ponto de vista da Teoria da Informação a redundância é a repetição de informações, cuja função é a de proteger as mensagens de qualquer sistema de comunicação contra possíveis falhas. A redundância está presente tanto na interacção quotidiana de duas pessoas, quanto na transmissão de dados de telecomunicações. Seu conceito está presente nos mais variados sistemas que necessitam de protecção contra falhas seja um hospital, um satélite ou um automóvel.

 

 


publicado por asilva às 11:50
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Informação versus comunicação

as seguintes definições esclarem bem a diferença entre os dois conceito:

 

A Informação é, por natureza, uma representação simbólica, em código convencionado, de acontecimentos, objectos ou fluxos que constituem o real perceptível. Conjuga, assim, um conjunto de registos em linguagem simbólica (dados), interpretados de acordo com um determinado código (padrão). (Zorrinho, 1995: 15)

A comunicação consiste na transmissão da informação. É o modo de desenvolver o relacionamento entre as pessoas e grupos, através de um intercâmbio de factos, opiniões, ideias, atitudes e emoções.

 


publicado por asilva às 11:46
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Entropia, ruído, redundância, comunicação e informação

O Dr. Pedro Machado solicitou que fizéssemos um trabalho no âmbito da unidade curricular de Teorias e Modelos de Comunicação e que consiste na caracterização dos conceitos de entropia, ruído, redundância, e a distinguir entre informação e comunicação para uma compreensão (científica) do fenómeno da comunicação. era necessário apontar diversos exemplos de casos práticos onde esses conceitos se tornam evidentes.

Este trabalho foi interessante, mas que me ocupou o feriado todo, fez-me reflectir e pesquisar sobre os conceitos atrás referidos. Senti necessidade de pesquisar na Internet para complementar os artigos do Livro de Teorias e Modelos da Comunicação e para encontrar textos mais acessíveis para um simples matemático (). Ao longo da minha pesquisa que foi custosa (com 3 ratazanas a constamente moer-me o juízo), encontrei textos interessantes. Por exemplo encontrei um artigo interessante sobre redundância versus entropia. Queria colocar o me trabalho no blog, mas ainda não descobri.

Deixo um conjunto de documentos que encontrei e que foram elucidativos:

http. A comunicação, redundância e a entropia. Disponível em http//pensar-web.blogspot.com/2008/02/comunicao-redundncia-e-entropia.html, consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Abreu, J. L. Pio. Abordagem sistémica e teorias da comunicação. Disponível em http://www.medicoscentro.com/Pio_Abreu/Abordagem.doc, consulado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Entropia (teoria da informação). Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Entropia_(teoria_da_informa%C3%A7%C3%A3o), consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Informação, Comunicação, Negociação e Participação. Disponível em http://www.ensino.uevora.pt/fasht/modulo5_icn/apresentacao_1a.PDF, consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Introdução à Cibernética - capítulo X. Disponível em http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/artigos/Colunista.asp?artigo=537, consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Redundância/entropia em relacionamento social. Disponível em http://www.cev20012.hpg.com.br/profs/1/downloads/nilson/redundancia.doc, consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Redundância. Disponível em www. Ruído. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ru%C3%ADdo, consultado em 1 de Dezembro de 2009., consultado em 1 de Dezembro de 2009.

www. Ruído. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ru%C3%ADdo, consultado em 1 de Dezembro de 2009.

 

e o site: http://www.google.com/books?hl=pt-PT&lr=&id=t7nZbLVR9mUC&oi=fnd&pg=PA13&dq=%22Pignatari%22+%22Informa%C3%A7%C3%A3o.+Linguagem.+Comunica%C3%A7%C3%A3o%22+&ots=9H_6Anipqi&sig=12VTD3gmjcVfr3wkW2kwPXvg700#v=onepage&q=&f=false

 


publicado por asilva às 20:55
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